A importância da música na Neurociência

A importância da música na Neurociência

A importância da música na Neurociência 940 788 Estagio ESEV

“Onde as palavras falham, a música fala.”
– Hans Christian Andersen

Já alguma vez pensou que, a música pode gerar mudanças no nosso comportamento ou, até ter influência na estrutura e função do cérebro?

A música, mais que qualquer outra arte, tem uma representação neuropsicológica extensa. Por não ter necessidade de codificação linguística, esta arte, tem a capacidade de ativar diretamente as áreas límbicas de cada ser humano (que controlam os nossos impulsos, emoções e motivação) e as áreas cerebrais terciárias, localizadas nas regiões frontais que, são responsáveis pelas funções práxicas de sequenciação e pela mímica que acompanha as nossas reacções corporais ao som. Assim, as alterações fisiológicas da estimulação sonora podem refletir-se nas mudanças dos padrões, no reflexo de orientação, na variabilidade das respostas fisiológicas envolvidas em processos de atenção e expectativa musicais ou na mudança de frequência, topografia e amplitude dos ritmos elétricos cerebrais.

Antes de passar a uma parte mais científica é importante referir que a música envolve todo o processo relacionado à organização e à estruturação de unidades sonoras, seja no seu aspeto temporal (ritmo), seja na sucessão de alturas (melodia) ou na organização vertical harmónica dos sons.

Cientificamente falando…
Recentemente, têm sido feitos vários estudos com recurso a vários métodos de investigação, como por exemplo: a ressonância magnética funcional (FMRI); o eletroencefalograma (EEG); eye tracking, etc.

Neste sentido e, segundo os vários estudos, vários autores observaram algumas mudanças durante o processo percetivo e cognitivo dos constituintes da música.

– Em “Tomographic mapping of human cerebral metabolism: auditory stimulation.” (1982), Mazziota et al., observaram que, em tarefas de discriminação tímbrica, havia maior ativação de áreas frontais e temporais do hemisfério não dominante.

– Em “Tonotopic organization in huma auditory cortex revealed by positron emission tomography.” (1985), Lauter et al., confirmaram a organização tonotópica do córtex auditivo com ativação anterior e lateral para sons graves e médio e posterior para sons agudos.

– Em “Neural mechanisms underlying melodic perception and memory for pitch.” (1994),  Zatorre et al., observaram que a audição melódica passiva envolvia, principalmente, regiões temporais do hemisfério direito, enquanto em provas mais ativas, que exigiam memória tonal, havia ativação de áreas frontais do hemisfério cerebral direito.

– Em “The structural components of music perception. A functional anatomical study.” (1997), Platel et al., estudaram a ativação de diferentes áreas cerebrais durante provas que envolviam alguns parâmetros psico acústicos da música, a dizer: identificação de mudanças de altura, regularidade rítmica, familiaridade melódica e identificação de mudança tímbrica. Nas provas envolvendo familiaridade, havia maior ativação do giro temporal esquerdo e do giro frontal esquerdo. O reconhecimento tímbrico ativava o giro frontal superior e o giro pós central direitos, enquanto as provas rítmicas envolviam áreas frontais inferiores e a ínsula do hemisfério esquerdo (dominante).

 

“A Study Investigating the Relaxation Effects of the Music Track Weightless by Marconi Union in consultation with Lyz Cooper”

Este estudo, realizado no laboratório da Mindlab, em Brighton, tende a verificar que certas melodias ou peças musicais realmente possuem o poder de acalmar, até os indivíduos mais stressados. A veracidade desta afirmação é confirmada por variadas observações, sejam elas: a capacidade de a música diminuir os batimentos cardíacos, de desacelerar a respiração, de diminuir os níveis do hormônio do stress ‘cortisol’ no sangue ou de estimular a da dopamina, neurotransmissor que é geralmente associado a recompensas prazerosas. Outros autores observaram que a música também pode ajudar a superar a ansiedade e a depressão.

  • Procedimentos do estudo: A população em estudo, resume-se a 20 participantes, do sexo feminino, com idades entre 18 e 61 anos e idade média de 37 anos. Todas as senhoras foram conectadas a equipamentos de bio monitoramento para monitorizar a amplitude da frequência cardíaca, a condutância da pele (EDA) e a taxa de respiração.

As participantes estavam sentadas confortavelmente numa sala livre de distrações. A música foi ouvida com recurso a headphones com isolamento de ruído.

Cada faixa de música foi tocada por 3 minutos com um período de silêncio após cada música. Entre cada faixa, foram usados distractores auditivos e visuais que foram reproduzidos/exibidos para induzir stress.

A ordem pela qual as diferentes faixas foram reproduzidas foi feita de forma aleatória. Após cada música, os participantes foram solicitados a classificar a música numa escala de -5 a +5 para relaxar, com o nível de +5 a representar o estado “mais relaxante”. Após a sessão de música, os participantes foram submetidos a uma nova distração e, em seguida, submetidos a uma massagem profissional. Depois de uma distração final, o ‘Weightless’ de Marconi Union (música relaxante, considerada das mais tranquilizantes pelo Dr. Lewis-Hodgson, fundador do Mindlab) foi reproduzido na íntegra para permitir uma comparação direta com a massagem.

As medidas foram analisadas para cada participante durante cada atividade e, em seguida, os resultados foram combinados para fornecer uma “pontuação percentual de relaxamento” geral. Uma pontuação comparativa pode então ser aplicada a cada faixa de música e massagem. Os números usados na pontuação são comparáveis entre si. No entanto, deve-se notar que eles são números arbitrários e o cálculo é projetado como um comparador ilustrativo entre as pontuações.

  • Resultados:
    1. Um estudo da Mindlab comparou diferentes tipos de atividades relaxantes após os participantes realizarem em atividades stressantes e os resultados confirmaram que a música é a prática mais relaxante;

Fonte: https://www.britishacademyofsoundtherapy.com/wp-content/uploads/2019/10/Mindlab-Report-Weightless-Radox-Spa.pdf

  1. Relativamente aos testes biométricos de frequência cardíaca, frequência respiratória e condutância da pele (EDA), os dados apresentados indicam mudanças no relaxamento mental e físico e nos níveis de stress. Essas três medidas são combinadas para criar uma pontuação geral de relaxamento. Os resultados são: a música “Weightless”, obteve a maior pontuação; abaixo, com quase 70%, aparece a massagem e, quase 10 pontos percentuais abaixo, aparece a música relaxante.

Fonte: https://www.britishacademyofsoundtherapy.com/wp-content/uploads/2019/10/Mindlab-Report-Weightless-Radox-Spa.pdf

  1. Quanto aos estudos feitos em que é usada a música “Weightless”, os resultados são claros e demonstram que esta música de autoria do Marconi Union, aumenta muito os índices de relaxamento…

Este estudo tem muito mais para lhe oferecer, com mais informações sobre os efeitos da música no ser humano e no comportamento cerebral.

Dê uma vista de olhos no link abaixo:

https://www.britishacademyofsoundtherapy.com/wp-content/uploads/2019/10/Mindlab-Report-Weightless-Radox-Spa.pdf

“Sem música, a vida seria um erro”.
-Federico Nietzsche-

 

Referências bibliográficas:

http://www.revistaneurociencias.com.br/edicoes/2000/RN%2008%2002/Pages%20from%20RN%2008%2002-7.pdf

https://www.britishacademyofsoundtherapy.com/wp-content/uploads/2019/10/Mindlab-Report-Weightless-Radox-Spa.pdf

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