No âmbito do Dia Internacional da Educação, dia criado através da Resolução 73/25 da Assembleia Geral da ONU, a 3 de dezembro de 2018, surge a presente reflexão sobre a educação.
O sistema educativo atravessa um período de transição marcado por desafios cognitivos, sociais e tecnológicos que reconfiguram as experiências de ensino e aprendizagem. Numa era em que a gestão da atenção, a formação de intenção e a integração da Inteligência Artificial (IA) ganham relevância, as finalidades educativas são também rediscutidas em função das competências que se espera que os alunos desenvolvam ao término de cada ciclo de ensino. Este artigo visa analisar esses desafios à luz da literatura académica e de obras da PsicoSoma Editora que refletem sobre a prática docente e a gestão educativa contemporânea.
A atenção sustentada e a intenção deliberada constituem pré-requisitos essenciais para a aquisição de conhecimento significativo. Estudos sobre educação contemporânea destacam que a presença constante de estímulos digitais e a falta de hábitos de gestão atencional podem comprometer a profundidade da aprendizagem (OCDE, 2023). Neste contexto, a promoção de estratégias que favoreçam a regulação da atenção e o estabelecimento de intenções claras de aprendizagem constitui um desafio para escolas e docentes.
A integração de IA na educação emergiu como fator de inovação pedagógica, podendo apoiar avaliações adaptativas e personalizar percursos formativos (OCDE, 2023). No entanto, a literatura alerta para a necessidade de reflexão crítica sobre o seu uso, especialmente no que respeita a ética, equidade e a preservação de funções cognitivas essenciais. A IA deve ser entendida como um complemento às práticas pedagógicas, e não um substituto do discernimento crítico humano (Milicevic, 2024; Pörn et al., 2024).

O docente moderno é simultaneamente facilitador, orientador e mediador de aprendizagens. Para além da transmissão de conteúdos, espera-se que os professores promovam ambientes que favoreçam a motivação, o pensamento crítico e a aprendizagem autorregulada. Neste sentido, a obra Coaching para Docentes – Um Guia para Professores do século XXI constitui uma contribuição prática para a reflexão e a ação pedagógica, oferecendo-se como um recurso para docentes que enfrentam desafios concretos em sala de aula. Através da análise de casos e de propostas de intervenção, esta obra de Lurdes Neves propõe ferramentas psicoeducativas que apoiam a motivação e o envolvimento dos alunos, incluindo gerações digitais contemporâneas como a Geração Z e a Alpha, no processo educativo .
A obra refere-se diretamente aos desafios do professor do século XXI, apresentando métodos de coaching educativo que visam fortalecer a liderança pedagógica em contextos de diversidade e transformação. Deste modo, Coaching para Docentes contribui para a construção de práticas docentes mais reflexivas, intencionais e adaptativas.
O professor do futuro não é apenas um transmissor de conhecimento, mas um arquiteto de experiências de aprendizagem, mediador cultural e agente ético num ecossistema educativo marcado pela complexidade, pela Inteligência Artificial e pela fragmentação da atenção. As competências docentes exigidas no século XXI resultam da convergência entre orientações nacionais, como o Perfil dos Alunos à Saída da Escolaridade Obrigatória (PASEO), e referenciais internacionais, como os relatórios do World Economic Forum e da OCDE.
O professor do futuro deve reunir um conjunto integrado de competências que articulem pedagogia, tecnologia e humanismo, assumindo um papel central como mediador da aprendizagem num contexto marcado pela complexidade e pela aceleração tecnológica. Este docente precisa de dominar estratégias pedagógicas ativas e diferenciadas, ser capaz de gerir a atenção e a motivação dos alunos num ambiente saturado de estímulos, integrar criticamente a literacia digital e a Inteligência Artificial na prática educativa, desenvolver competências socioemocionais que favoreçam relações pedagógicas significativas, agir com responsabilidade ética face aos desafios sociais e tecnológicos emergentes e, simultaneamente, manter uma postura de aprendizagem contínua e adaptabilidade profissional. Em conjunto, estas competências posicionam o professor como um profissional reflexivo, intencional e eticamente comprometido com a formação integral dos alunos, em consonância com os referenciais nacionais como o PASEO e com as orientações internacionais para as competências do futuro.
Além da intervenção em sala de aula, os desafios estruturais do sistema educativo exigem uma abordagem integradora que transcenda as práticas cotidianas do professor.

Gestão da Educação em Portugal: Novas Perspetivas e Desafios Práticos, obra coordenada por Miguel Varela e Lurdes Neves, constitui uma reflexão estruturada sobre o panorama educativo português, considerando fatores que vão desde as mudanças demográficas até às práticas de liderança escolar e adaptação curricular .
Esta coletânea de trabalhos desenvolvidos por professores e gestores educativos destaca a importância de compreender a educação como um fenómeno que articula sociedade, cultura e evolução, e oferece contributos teóricos e empíricos para a formulação de políticas e práticas de gestão que respondam aos desafios contemporâneos.
O que se espera do aluno?
O desenvolvimento de competências ao longo dos ciclos educativos é um dos elementos estruturantes para preparar os alunos para uma sociedade em rápida transformação. Tanto o documento PASEO como o relatório do World Economic Forum (WEF) convergem na necessidade de um conjunto de competências que ultrapassa a mera aquisição de conteúdos, articulando saberes, capacidades, valores e disposições de aprendizagem que se estendem para além da escolaridade formal.
Ao término do ensino básico, espera-se que os alunos tenham consolidado competências básicas de leitura, escrita e raciocínio lógico, bem como capacidades iniciais de literacia digital e competências socioemocionais que facilitem a continuidade dos seus percursos educativos.
No final do ensino secundário, os estudantes devem evidenciar competências cognitivas mais complexas — como pensamento crítico, resolução de problemas e literacia tecnológica — que lhes permitam transitar para contextos de ensino superior ou para o mundo profissional com autonomia.
No ensino superior, espera-se que os alunos desenvolvam capacidades de investigação autónoma, literacia crítica avançada e competências transversais que incluam comunicação eficaz, pensamento ético e adaptabilidade às mudanças tecnológicas e sociais.

O Perfil dos Alunos à Saída da Escolaridade Obrigatória (PASEO) é um referencial curricular português que orienta o desenvolvimento de aprendizagens ao longo dos 12 anos de escolaridade obrigatória. O PASEO integra princípios, valores e áreas de competência que visam formar alunos autónomos, críticos, responsáveis e ativos na sociedade, articulando uma educação humanista com exigências cognitivas e éticas (PASEO, DGE, 2017).
O PASEO contempla aspetos de:
- Conhecimento e compreensão (incluindo literacias fundamentais);
- Capacidades cognitivas e metacognitivas (como raciocínio crítico e resolução de problemas);
- Atitudes, valores e disposições pessoais (tais como responsabilidade, cidadania e ética);
- Competências interpessoais e sociais (trabalho colaborativo, comunicação).
Esse perfil converge com abordagens internacionais que veem a educação como um processo integral que articula saberes disciplinares com capacidades que se manifestam na vida pessoal, social e profissional.
O World Economic Forum (WEF) desenvolve periodicamente diagnósticos globais sobre a evolução do mercado de trabalho e as competências exigidas pela economia contemporânea. O relatório “Future of Jobs Report 2025” identifica uma transformação acelerada de competências, com mudanças substanciais nas exigências profissionais até 2030 (WEF, 2025).
Essas competências incluem uma combinação de competências digitais, cognitivo-analíticas e socioemocionais, tais como:
- Competências digitais e tecnológicas — literacia em IA, dados, e ferramentas digitais;
- Pensamento crítico e resolução de problemas complexos;
- Criatividade e inovação;
- Flexibilidade, adaptabilidade e resiliência;
- Aprendizagem contínua e metacognição;
- Comunicação e colaboração em ambientes interdisciplinares.
A adaptação destes perfis às exigências futuras sublinha a importância de preparar alunos que sejam não apenas detentores de conhecimento, mas atores competentes para navegar em contextos complexos e dinâmicos, integrando competências cognitivas elevadas com capacidades humanas — criatividade, empatia e comunicação eficaz.
O estado atual da educação implica uma resposta sistémica que concilie desafios técnicos, pedagógicos e humanos. A gestão da atenção e intenção dos alunos, a integração ética da Inteligência Artificial e a promoção de práticas docentes reflexivas exigem esforços coordenados entre docentes, gestores e formuladores de políticas educativas. As obras Coaching para Docentes – Um Guia para Professores do século XXI e Gestão da Educação em Portugal: Novas Perspetivas e Desafios Práticos constituem recursos pertinentes que enriquecem a reflexão e a ação educativa, alinhando-se com as necessidades contemporâneas dos professores e dos sistemas educativos.
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Referências Bibliográficas
Milicevic, N. (2024). Students’ intention toward artificial intelligence in education. MDPI. Disponível em https://www.mdpi.com/2071-1050/16/9/3554
Neves, L. (2022). Coaching para Docentes – Um Guia para Professores do século XXI. PsicoSoma. Disponível em https://psicosoma.pt/editora/coaching-docentes/
OCDE. (2023). Education at a Glance 2023 (Relatório). OCDE. Disponível em https://www.cnedu.pt/content/EE2023/Versao_Integral/EE2023.pdf
Pörn, R., Braskén, M., Wingren, M., & Andersson, S. (2024). Attitudes towards and expectations on the role of artificial intelligence in the classroom. LUMAT International Journal on Math Science and Technology Education.
Varela, M., & Neves, L. (2023). Gestão da Educação em Portugal: Novas Perspetivas e Desafios Práticos. PsicoSoma. Disponível em https://psicosoma.pt/editora/gestao-da-educacao-em-portugal/


