Sinopse

Num primeiro capítulo intitulado; Laços sociais e familiares: fundamentos teóricos e desafios, François de Singly, Maria Engrácia Leandro e Laura Margarida Ferreira, reexaminam as teorias clássicas da sociologia elaboradas pelos pais fundadores, os primeiros exploradores destas questões nos alvores das sociedades modernas ou tal como são analisadas mais recentemente à luz das mutações sociais e familiares em curso. Dão particular importância a estas aproximações teóricas, mas não sem fazer recurso a dados retirados da vida quotidiana, para que a dimensão macrossociológica da sociedade e microssociológica do indivíduo e da família, sejam profundamente apreendidos. François de Singly insiste de modo particular na afirmação do indivíduo nas sociedades hodiernas e traz para este debate um novo olhar sobre o modo como este é hoje actor de novos laços sociais. São igualmente analisadas as novas formas de relação intrafamiliares, considerando a criança um actor em destaque como o faz Ana Nunes de Almeida, bem como os efeitos das rupturas e da recomposição de novos laços, questões a que se dedicam Ana Sofia da Silva Leandro e Maria Engrácia Leandro. Uma outra questão é aqui colocada entre a fragilidade dos laços familiares e certas modificações familiares que se têm vindo a verificar. Embora este capítulo concentre reflexões teóricas mais aprofundadas acerca destas problemáticas, de maneira mais clara ou em filigrana, perspectivas desta natureza continuam presente nos outros trabalhos que integram esta obra. O segundo capítulo, intitulado: Questões de mudanças sociais familiares e solidariedades, não descurando a dimensão teórica, é constituído por artigos de trabalhos vindos de vários bordos. Sob prismas e contextos diversificados, o conjunto dos textos que integra procura mostrar como as questões do laço social podem ser apreendidas de modo plural, por vezes preditivos, por vezes mais tradicionais, mesmo se todos se debruçam sobre as mudanças em curso. Estes textos relevam de trabalhos sociológicos de investigadores concretos, cujo propósito individual ou grupal destaca a procura de elaboração de leituras e formulações mais ou menos alargadas ou mais ou menos sintéticas. Assim acontece com o texto de Maria Mercês Covas, destacando a necessidade de repensar a família numa perspectiva de novos valores e de gestão de recursos, o que de algum modo se estende ao trabalho de Filomena Sousa, ao analisar as novas pendências do adulto na família e a sua implicação em termos de laços familiares. Por sua vez Moisés de Lemos Martins associa o tema dos laços familiares ao que designa de crise do humano, fazendo emergir as relações entre estas vertentes e a respectiva racionalização das sociedades ultramodernas. Já Dória Amorim, apoiando-se no relatório de estágio do Curso de Sociologia da Universidade do Minho, traz para aqui a problemática das crianças em risco, condição que se inscreve de sobremaneira nas trajectórias de risco das suas próprias famílias, vindo a reflectir-se, particularmente, nos seus percursos de escolarização. Ana Paula Marques, analisando as rupturas sócio-familiares à luz do desemprego, destaca a importância desta articulação nos dias que correm e os efeitos daí decorrentes. E porque de famílias e solidariedades se trata, Maria da Luz Azevedo Silva e Paula Cristina Soares, terminam este capítulo com uma importante reflexão, apoiada em trabalho de campo, sobre as transformações e mudanças em curso no seio de famílias ciganas. Enfim, no terceiro e último capítulo, denominado: Viver em conjunto – construir coesão social, inscrevem-se trabalhos sobre as problemáticas da pobreza, da exclusão social e das teorias sociológicas acerca da integração social da autoria de Maria Engrácia Leandro e Joel Felizes. Também o trabalho de Maria Marta Lobo acerca da pobreza, da honra e da caridade, se inscreve neste domínio. Aqui são analisadas as medidas implementadas pelas Misericórdias durante os séculos XVII-XVIII, em favor das jovens pobres, visando modificar a sua situação social e familiar. Elza Chambel, fundamentando-se em muitas das suas intervenções nestes domínios, retrata-nos com clareza os moldes em que se podem activar formas de solidariedades em contextos familiares de condição social modesta. Também Paula Cristina Soares e Maria da Luz Silva, socorrendo-se de dados empíricos, põem em relevo as formas de marginalidade em que frequentemente vivem famílias ciganas. Por fim, Maria Engrácia Leandro e Maria da Conceição Gonçalves Oliveira estudam os efeitos das mudanças decorrentes das migrações internacionais sobre a recomposição de novos laços familiares e sociais em contextos de interculturalidade. A passagem de uma sociedade tradicional com bastante impacto das ruralidades, tal como era a sociedade portuguesa dos anos 1960, com predominância de formas de “solidariedade mecânica” para outras extremamente urbanas, industriais e terciarizadas onde a ”solidariedade orgânica” é predominante, obriga necessariamente a várias formas de reinvenção e recomposição de novas formas de laço social. Todavia, e é o que por vezes torna a compreensão mais difícil, é que também estas novas sociedades se encontram em profunda mudança a este propósito. Não obstante os migrantes tendem a elaborar entre si e a sociedade envolvente novas formas de “reliance” e de suporte social.

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Maria Engrácia Leandro

Mestre em Antropologia Social e Cultural. Doutorada em Sociologia pela Universidade René descartes, Sorbone - Paris. Professora catedrática da Universidade do Minho desde 2001.
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